Após vacina contra dengue ser suspensa, prefeitura de Nova Lima diz que não houve confirmação de casos graves de reação na cidade
08/06/2026
(Foto: Reprodução) Governo anuncia paralisação da vacinação contra a dengue
A Prefeitura de Nova Lima, na Grande BH, informou nesta segunda-feira (8) que não houve confirmação de casos graves de reação adversa associados à vacina contra dengue no município. A cidade foi uma das três do Brasil a aplicar, na população em geral, o imunizante do Butantan, que teve o uso suspenso nacionalmente após o registro de duas mortes suspeitas pelo país.
🔍 Ao todo, 42 episódios de reações adversas possivelmente ligadas ao Butantan-DV, incluindo os dois óbitos, foram registrados pelo Ministério da Saúde, o que representa 0,008% do total de 500 mil pessoas imunizadas até 30 de maio. Ainda não há resultado conclusivo sobre a correlação dos eventos raros com a vacina (leia mais abaixo).
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Segundo a prefeitura de Nova Lima, desde o início da campanha de vacinação, em janeiro, foram aplicadas 27.278 doses na cidade. No período, três casos chegaram a ser notificados às autoridades, mas passaram por avaliação técnica e foram descartados pelo Ministério da Saúde como supostos eventos atribuíveis à imunização.
Ainda conforme a administração municipal, a aplicação da vacina foi suspensa temporariamente nos postos de saúde em caráter preventivo, para reavaliação da estratégia vacinal.
"As doses do imunizante que estão em estoque ficarão armazenadas adequadamente até decisão final do Ministério da Saúde. A prefeitura orienta que as pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde caso apresentem sintomas ou necessitem de acompanhamento clínico, conforme recomendação do Ministério da Saúde", completou a prefeitura.
Suspensão da vacinação
De acordo com o governo federal, ao todo, foram aplicadas 500 mil doses no Brasil e, nesse universo de pacientes, notificados 42 casos de reações severas como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos, incluindo os dois óbitos sob investigação. Em coletiva de imprensa, o Ministério da Saúde reforçou que ainda não há resultado conclusivo sobre a correlação dos eventos raros com a vacina.
"Nós tivemos três casos graves, desses, dois óbitos, sem, até esse momento, nas investigações já feitas pelos sistemas municipais, de vigilância estadual, escutando os especialistas, ter dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência", explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Em nota, o Insituto Butantan afirmou que o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população, nos três municípios onde houve vacinação em massa — Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG).
Orientações
E o que acontece agora? Estados e municípios vão suspender a aplicação enquanto os casos de eventos graves e mortes são investigados. O governo informou que vai acionar as secretarias estaduais para reforçar a busca por possíveis efeitos adversos.
E quem já tomou a vacina? Quem recebeu doses nos últimos 21 dias deve fazer um acompanhamento e estar atento a reações como febre, dor abdominal, vômitos, entre outros.
O Ministério da Saúde reforçou que a medida é temporária e de segurança, que todas as mortes são suspeitas e que há confiança no estudo que levou à comprovação de eficácia e segurança da vacina.
"Queria reforçar aqui que o Ministério da Saúde tem toda a confiança na capacidade institucional, científica do Instituto Butantan, de fazer essa investigação, de aprofundar esses estudos. Isso foi apresentado no Comitê de Farmacovigilância Nacional, que foi feito hoje de manhã cedo, e o comitê recomendou de forma consensual essa estratégia de descontinuidade", disse o ministro Padilha.
Em nota, o Instituto Butantan disse que vai seguir a orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, com a suspensão de maneira preventiva para reavaliação da estratégia vacinal.
"Nosso compromisso é com o máximo rigor científico possível e a gente vai trabalhar nesse sentido com a esperança de que nós vamos conseguir dados suficientes, evidências suficientes para mostrar que a vacina tem benefício para a saúde pública brasileira e pode ser retomada essa vacinação", afirmou o médico infectologista Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan.
O Butantan DV é a primeira vacina do mundo em dose única contra a dengue
Instituto Butantan/Divulgação