Carnaval de BH: como capital mineira foi de 'cidade deserta' a uma das folias mais disputadas do país

  • 29/11/2025
(Foto: Reprodução)
Como BH foi de 'cidade deserta' no carnaval para uma das folias mais disputadas do país O carnaval de Belo Horizonte, que no início dos anos 2000 era sinônimo de período de tranquilidade e ruas vazias, hoje é uma das maiores festas do Brasil. Junto com as folias no Rio, em Salvador, Pernambuco e São Paulo, a capital mineira atrai turistas de todo o país. Faltando pouco mais de dois meses para a celebração, que em 2026 será entre 14 e 17 de fevereiro, o g1 explica por que a cidade tem atraído tanta gente e por que curtir a folia belo-horizontina é uma ótima ideia. Sem falsas modéstias, o jeitinho receptivo do mineiro, a comida boa em cada esquina, as bebidas que já ganharam até outros estados e os blocos de rua de todo tipo não deixam a capital de Minas perder o título de um dos melhores lugares para curtir o carnaval. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp A mudança começou em 2009, quando músicos se reuniram de forma improvisada na região Centro-Sul da capital. A ideia era simples: tocar na rua e ocupar o espaço urbano. O encontro atraiu dezenas de pessoas e marcou o início da retomada da folia na cidade (entenda mais abaixo). Até então, quem queria curtir o feriado costumava viajar para o litoral ou cidades históricas de Minas. Havia desfiles das escolas de samba e blocos caricatos, mas a movimentação era restrita. Prova disso é uma reportagem feita pela Rede Minas em 1990 que mostra pessoas respondendo o que tinha de bom para fazer em BH no carnaval: "Aqui? Nada", "sair de Belo Horizonte" e "sumir da cidade" foram algumas das reações (veja o vídeo abaixo). ✅Mande sua denúncia, reclamação ou sugestão para o g1 Minas e os telejornais da TV Globo O carnaval cresceu - em público, atrações e movimentação financeira. Segundo a Secretaria Estadual de Cultura e Turismo (Secult-MG), somente em Belo Horizonte, foram 6 milhões foliões em 2025, ante 5,5 milhões em 2024. A ocupação na rede hoteleira de BH chegou a 87,5%, com pico 90,2% no domingo. No ano passado, a média de lotação tinha ficado bem abaixo, com média de 71,3%. Entenda, a partir dos pontos abaixo, por que o Carnaval de BH cresceu tanto e tem sido tão procurado: Blocos de rua, festas pagas, shows e desfile Que tipo de público atrai? Quais são os ritmos/gêneros musicais? Entenda a história do carnaval de BH O que fez o cenário mudar? Vídeo de 1990 sobre carnaval em BH Blocos de rua, festas pagas, shows e desfile O carnaval de Belo Horizonte atualmente é marcado pela força e diversidade dos blocos de rua, mas a festa também conta com a presença de trios elétricos, shows e festas pagas. São os blocos de rua que fazem a grandeza da folia belo-horizontina, trazendo um viés democrático de festa, para todos os públicos, gostos e idades. A folia atrai multidões e, em alguns casos, artistas de renome nacional são convidados para comandarem a festa em grandes avenidas como a Afonso Pena e Amazonas. Neste ano, por exemplo, só o bloco do dj Alok arrastou cerca de 500 mil pessoas, segundo a prefeitura. Paralelamente à festa popular nas ruas, a cidade também oferece shows e festas em lugares pagos - para quem quer fugir um pouco do grande movimento das ruas - que complementam a programação em espaços privados, embora a essência e o destaque principal da celebração esteja na manifestação espontânea e gratuita dos blocos. Vale ressaltar, também, que a tradição é mantida com os desfiles de escolas de samba de BH, que continuam fazendo parte da programação oficial do carnaval. O desfile do grupo especial é caracterizado como uma vibrante disputa de brilho, cor e melodias, sendo realizado na passarela do samba da capital - a Avenida Afonso Pena. Nesse ano, oito escolas de samba desfilaram na terça-feira de carnaval: Escola Triunfo Barroco, Cidade Jardim, Estrela do Vale, Imperatriz de Venda Nova, Imperavi de Ouros, Acadêmicos de Venda Nova, Bem-Te-Vi e Canto da Alvorada. LEIA TAMBÉM Lambe Lambe, Rubra, Xeque Mate, Xá de Cana: os drinques que BH exporta Desfile Acadêmicos de Venda Nova - Carnaval 2025 Douglas Magno Que tipo de público atrai? O carnaval em todo o Brasil, como manifestação cultural e política, carrega o nome da pluralidade, diversidade e inclusão. Em Belo Horizonte, não é diferente. Por isso, não existe um 'público-alvo' na folia mineira, e todos os gostos são atendidos, do axé ao rock (veja mais abaixo). A festa tem como marca registrada, desde o período o começo da retomada, em 2009, a luta por acesso ao lazer. A atmosfera acolhedora se estende para as famílias, que encontram no calendário do carnaval mineiro uma programação que também contempla blocos infantis, como o Bloquim duBem e Charangueiras e o Todo Mundo Cabe No Mundo, conhecido por seu foco em acessibilidade. Quais são os ritmos/gêneros musicais? A trilha sonora que embala essa multidão é igualmente diversa e passeia pelo melhor do axé e do funk, sem deixar de lado as raízes da MPB. Há blocos que prestam homenagens a ícones da música mineira, como os que homenageiam Rita Lee, Belchior, Wando, Milton Nascimento e outros grandes nomes. BH também tem espaço para blocos voltados ao público do rock, do sertanejo e do pagode, como os blocos Alcova Libertina, É o Amor e Me Beija Que Eu Sou Pagodeiro. Nos desfiles infantis, o ritmo se concentra nas tradicionais marchinhas e canções lúdicas dos mais conhecidos filmes para a família. Bateria do Havayanas Usadas Reprodução TV Globo Entenda a história do carnaval de BH 📅 O primeiro registro é de 1897, ano da fundação de Belo Horizonte, quando operários que trabalhavam na construção da capital desfilaram pela região central. 🎉Na década de 1930, surgiram as batalhas de confete e a primeira escola de samba de Belo Horizonte, a Pedreira Unida, criada na Pedreira Prado Lopes. 🎶A tradicional Banda Mole estreou no carnaval da capital em 1975. E, na década de 1980, as escolas de samba faziam desfiles luxuosos diante de arquibancadas lotadas. ⛔Em 1989, no entanto, uma grande chuva provocou estragos, e a prefeitura suspendeu a festa. A década de 1990 foi marcada por um período de apagão carnavalesco, motivado pela falta de incentivo do poder público, e a cidade passou a ser conhecida pelo sossego e marasmo nesse período. Letícia se vestiu de sapa e entrou no brejo da Truck do Desejo Jô Andrade/g1 O que fez o cenário mudar? O cenário começou a mudar no fim dos anos 2000, quando surgiram os primeiros blocos independentes, como Tico Tico Serra Copo, Approch e Peixoto. A ocupação ganhou força com o movimento “Praia da Estação”, criado no fim de 2009 após uma tentativa de impor regras para eventos na Praça da Estação. A iniciativa reuniu diferentes tribos e consolidou a ideia de usar os espaços públicos para celebrar. Em dezembro de 2009, um decreto do ex-prefeito Marcio Lacerda proibiu a realização de eventos de qualquer natureza na Praça da Estação. A resposta foi a Praia da Estação, em 2010, movimento que transformou a cidade sem mar em um verdadeiro litoral, ao som de marchinhas. E o número de pessoas nas ruas, ocupando os espaços públicos, só cresceu desde então. Em 2013, a prefeitura registrou 70 blocos. No ano seguinte, o número dobrou para 140. Em 2018, foram 403 desfiles. Em 2025, mais de 500 blocos se cadastraram na Belotur. As avenidas, antes desertas no feriado, agora recebem milhares de foliões de Minas e de outros estados. O carnaval de 2015 é considerado um marco por ter reunido mais de 1,5 milhão de pessoas nas ruas. A estrutura e a visibilidade da festa aumentaram, mas os desafios foram muitos ao longo dos últimos anos. Blocos e foliões constantemente enfrentam violência policial e dificuldades financeiras e burocráticas para desfilar. O improviso dos primeiros anos deu lugar ao planejamento. Blocos como o “Então Brilha”, que estreou em 2011 na Rua Guaicurus, e o “Bloco do Queixinho”, criado em 2010, se tornaram referência. Hoje, há ensaios, formação de ritmistas e preocupação com a qualidade musical para atender à expectativa de um público cada vez maior. O fenômeno exigiu adaptações dos órgãos públicos e transformou Belo Horizonte em destino turístico no carnaval. A festa, marcada pela diversidade e pelo brilho, é resultado da vontade coletiva de ocupar a cidade e celebrar. Carnaval de Belo Horizonte, 2025 Jô Andrade/g1 Vídeos mais vistos no g1 Minas:

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/carnaval/2026/noticia/2025/11/29/carnaval-de-bh-como-capital-mineira-foi-de-cidade-deserta-a-uma-das-folias-mais-disputadas-do-pais.ghtml


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