Chuva de granizo no Sul de Minas pode comprometer produção de café até 2028, alertam especialistas
18/09/2026
(Foto: Reprodução) Chuva de granizo no Sul de Minas pode comprometer produção de café até 2028
A chuva de granizo que atingiu o Sul de Minas acendeu um alerta para a cafeicultura da região. Além dos prejuízos imediatos, os danos provocados pelo temporal podem comprometer a produção das próximas safras de café.
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Em Três Corações, 30% dos 50 hectares de café da fazenda do cafeicultor Sérgio Nabak foram atingidos pela tempestade. Parte das folhas caiu e as que permaneceram na planta sofreram danos.
"Tristeza, né? Porque é café que a gente esqueletou, é trabalho que a gente vinha de ano, e você vê que vai tudo água abaixo. A gente fica triste", disse o cafeicultor.
Imagens registradas após o temporal mostram pedras de gelo espalhadas pela lavoura. Depois da tempestade, os produtores agora enfrentam os prejuízos e o desafio de recuperar as áreas afetadas.
"A gente vai ter que entrar esqueletando a lavoura e vamos gastar os mesmos tratos culturais e mais mão de obra para estar desbrotando, para a gente colher só no 2028. Esse ano, 2027, 26, 27, não tem nada, sai para zero. Eu não sei o que eu vou gastar ainda, tenho que fazer as contas, mas é só o prejuízo agora para frente", afirmou Sérgio Nabak.
Chuva de granizo no Sul de Minas pode comprometer produção de café até 2028, alertam especialistas
Reprodução EPTV
A florada do café, etapa que marca o início da definição produtiva da safra, ocorre entre setembro e outubro, podendo se estender até novembro. Esse é um dos ciclos mais importantes da cultura, responsável pela formação dos frutos.
Segundo o engenheiro agrônomo da Procafé, Guilherme Gaudêncio, os impactos do granizo variam conforme a intensidade da chuva. Nas áreas menos atingidas, medidas curativas podem reduzir os prejuízos.
"Nas áreas que foram menos atingidas, com chuvas mais leves, a gente consegue com medidas curativas diminuir essas perdas. Então a gente faz um fungicida, um cobre, um efeito curativo ali e vai tendo atenção com o desenvolvimento da lavoura. Entra com o nutricional também para ajudar o desenvolvimento", explicou.
Já nas áreas que sofreram os maiores impactos, os danos podem comprometer a produção por vários anos.
"Nas áreas que foram mais atingidas, que foram chuvas mais severas, a gente tem um dano muito maior porque perde muitas folhas, muitos ramos, além das flores. A planta fica muito depauperada e aí ela perde a fonte de energia que ela tinha para se projetar para os próximos anos. Por isso que a gente fala que a chuva de pedra não atinge só essa safra ou a safra seguinte, ela chega a atingir até dois ou três anos da sua lavoura", disse Guilherme Gaudêncio.
Chuva de granizo no Sul de Minas pode comprometer produção de café até 2028, alertam especialistas
Reprodução EPTV
Os produtores prejudicados pelas fortes chuvas podem buscar apoio junto ao poder público e também negociar com instituições financeiras responsáveis por operações de crédito rural.
De acordo com o advogado especializado em Direito no Agronegócio, Vinicius Barquette, o primeiro passo é documentar tecnicamente os prejuízos causados à lavoura.
"O primeiro passo nas duas situações é documentar tecnicamente o prejuízo que aconteceu com a lavoura. Um laudo através de um agrônomo demonstrando os efeitos para essa safra e para as próximas safras, se houver, é o mais importante", afirmou.
Segundo ele, o documento é fundamental tanto para o acionamento de seguros quanto para a renegociação de dívidas com instituições financeiras, cooperativas e empresas do setor.
"No caso do seguro, esse laudo vai ser utilizado para acionar a seguradora e pedir, de fato, a indenização. E no caso de não haver seguro, esse produtor provavelmente tem contrato de custeio de algum tipo de empréstimo com instituição financeira ou contratos privados com tradings e cooperativas. Então, esse laudo vai ser o documento utilizado para acionar a instituição financeira e pedir o alongamento dessa dívida", explicou.
Apesar dos prejuízos, Sérgio Nabak afirma que não pretende desistir da atividade e já se prepara para iniciar a recuperação da lavoura.
"Tem que estar. A gente que é batalhador mesmo, a gente da roça, porque está no sangue. Senão, a gente tinha largado mão. A vontade é vender e ficar na cidade, mas a gente, porque está no sangue, vem de família e a gente é persistente", completou o cafeicultor.
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