Como pressa, estresse e distração contribuem para imprudência em travessias de trem em Juiz de Fora; cidade é 3ª em acidentes no país

  • 17/05/2026
(Foto: Reprodução)
Como pressa e distração contribuem para acidentes em linhas férreas em Juiz de Fora Com 36 acidentes contabilizados de 2024 a 2025, Juiz de Fora é a terceira cidade do país com maior número de acidentes em linhas férreas. No ranking nacional, segundo dados da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANNT), o município da Zona da Mata mineira só fica atrás de Curitiba (PR), que teve 67 registros, e Paranaguá (PR), com 40 ocorrências. Vídeos cedidos a pedido do g1 pela MRS Logística, responsável pela malha ferroviária que corta Juiz de Fora, mostram diversos flagrantes de imprudência entre outubro de 2025 e janeiro de 2026. Veja acima. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Na região central são muitos os pedestres que se colocam em perigo. Imagens feitas na passagem em nível da rua Benjamin Constant mostram pessoas que se arriscam, em diferentes dias, para cruzar a linha antes da passagem do trem. Uma das gravações também mostra um rapaz que brinca com a aproximação da locomotiva, ao deitar-se sobre os trilhos no momento em que ela se aproxima. Veja acima. Em muitas situações, a imprudência dá lugar ao descuido, o que faz com que pedestres desatentos sejam atingidos, em muitos casos com desfecho fatal. Um dos casos mais emblemáticos foi o acidente envolvendo o produtor musical João Paulo Almeida de Assis, em 2018, que usava fones de ouvido no momento em que atravessava a linha férrea. Ele chegou a ser hospitalizado, mas não resistiu e morreu aos 26 anos. Em Juiz de Fora, segundo a MRS Logística, são 41 passagens em nível para pedestres, 25 para veículos e 16 passarelas para pedestres. Em nota, a empresa informou que a segurança ao longo da ferrovia é uma prioridade permanente e resultado de um esforço conjunto entre concessionária, poder público e população. Ainda conforme a concessionária, "a cidade deixou de ocupar a primeira posição no ranking nacional de acidentes ferroviários, resultado de uma série de investimentos realizados em parceria com o poder público, como a criação de viadutos e obras estruturantes". Casal se arrisca e faz ensaio fotográfico proibido na linha do trem em Juiz de Fora O que leva uma pessoa a ser atropelada pelo trem Para entender o comportamento do pedestre juiz-forano e quais os motivos que os levam aos riscos, o g1 conversou com a neuropsicóloga e professora Thais Knopp.Para ela, do ponto de vista comportamental, atravessar uma linha férrea mesmo ao perceber a aproximação de um trem não pode ser reduzido a uma simples falta de atenção ou irresponsabilidade. "O que está em jogo é um conjunto de mecanismos cognitivos bastante sofisticados e, ao mesmo tempo, profundamente humanos. A pessoa pode até perceber o trem, mas subestima a velocidade e superestima a própria capacidade de atravessar a tempo", explicou. “Soma-se a isso um viés de otimismo, uma tendência implícita de acreditar que eventos negativos são mais prováveis de acontecer com os outros do que consigo, e um nível de automatização do comportamento, especialmente quando aquele trajeto já foi realizado diversas vezes sem consequências.” Ainda conforme ela, o fatores como pressa, estresse, ansiedade e distração têm um impacto direto sobre esse tipo de comportamento. "Quando o cérebro está sobrecarregado, ele tende a operar em um modo mais automático, priorizando rapidez em detrimento de análise. Isso reduz a capacidade de avaliação de risco e aumenta a impulsividade". O uso de equipamentos eletrônicos também contribui para agravar os riscos. "Interferem diretamente na atenção, podendo gerar o que se chama de cegueira atencional, em que estímulos relevantes deixam de ser percebidos, e competição sensorial, em que sinais importantes do ambiente, como o som de um trem, não são processados adequadamente. Não se trata apenas de distração no sentido comum, mas de uma limitação real na capacidade de processamento naquele momento". Para Knopp, medidas como melhor sinalização, presença de vigilantes e de barreiras físicas são extremamente relevantes. "Ao estruturar o ambiente de forma a limitar ou dificultar a ação de risco, reduz-se a dependência do julgamento individual, que, como vimos, pode falhar em determinadas condições. Confiar exclusivamente na conscientização das pessoas é uma abordagem limitada. O ambiente precisa funcionar como um aliado ativo da segurança". Pedeestre se arrisca na linha do trem em Juiz de Fora MRS Logística/Divulgação Segundo a MRS logística, a segurança ferroviária é uma responsabilidade compartilhada e que, em 100% dos atropelamentos e abalroamentos registrados na malha sob a concessão da empresa, existe um componente comportamental envolvido, como a pressa, a imprudência, a falta de atenção, uso de álcool e drogas, entre outros comportamentos inadequados. "Infelizmente, uma minoria da população ainda insiste em se arriscar e, por vezes, causar acidentes". A empresa reforça que, antes de cruzar a linha férrea, é fundamental que o pedestre para, olhe para os dois lados para verificar a aproximação do trem, escute e respeite a sinalização. "Essas são atitudes seguras que salvam vida", ressaltou. LEIA TAMBÉM: Idoso morre atingido por trem em Juiz de Fora Vídeo mostra momento em que trem atinge pedestre em Juiz de Fora VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/05/17/como-pressa-estresse-e-distracao-contribuem-para-imprudencia-em-travessias-de-trem-em-juiz-de-fora-cidade-e-3a-em-acidentes-no-pais.ghtml


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