Família de jovem em estado vegetativo após cirurgia do maxilar renova esperança com novo ano e tratamento com célula-tronco: 'Qualquer avanço é importante'

  • 01/01/2026
(Foto: Reprodução)
Quem é a estudante de medicina que ficou em estado vegetativo após cirurgia O início de um novo ano costuma ser marcado por planos, promessas e sonhos. Para a família de Larissa Moraes de Carvalho, jovem de 32 anos que vive em estado vegetativo, a chegada de 2026 representa esperança. Com graves sequelas após uma cirurgia de correção da mandíbula e do maxilar, realizada em Juiz de Fora em 2023, a expectativa é de avanços no quadro clínico. Em março, ela tem uma consulta em São Paulo para avaliação médica do tratamento com células-tronco que iniciou há um ano. Apesar de experimental, o método é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e o retorno à capital paulista, cerca de seis meses depois do início do primeiro procedimento, vem com a expectativa de uma resposta positiva. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp “Qualquer avanço já é importante, mas nossa esperança é recuperar completamente Larissa. Eu queria que ela pudesse sair pulando amanhã, sem precisar de mais tratamento. Essa é a nossa esperança para o ano que começa", afirma o pai, Ricardo Carvalho. 🔎 Como funciona o tratamento? O material biológico utilizado foi uma amostra de células-tronco, coletadas do próprio corpo da jovem. Essas foram multiplicadas e preparadas em laboratório antes de serem aplicadas no fim de setembro do ano passado. A expectativa é que, com o tempo, elas ajudem a reparar áreas lesionadas do cérebro e favoreçam a recuperação das funções afetadas pelo estado vegetativo. Larissa Moraes de Carvalho, estudante de medicina que está em estado vegetativo após cirurgia feita em Juiz de Fora Arquivo Pessoal Rotina de cuidados funciona como um hospital dentro de casa Larissa tinha 31 anos quando entrou em estado vegetativo após a cirurgia realizada na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora. Desde então, a rotina da família passou a se dedicar integralmente aos cuidados da jovem, que estudava medicina. Enquanto aguarda os próximos passos do tratamento, ela permanece em home care, atendimento concedido inicialmente por decisão liminar e posteriormente confirmado pela Justiça. O plano de saúde da Prefeitura chegou a questionar a medida, mas a mesma foi mantida. “A vida da nossa família mudou completamente. Hoje, tudo gira em torno da recuperação dela. Sabemos da gravidade do quadro, mas seguimos fazendo tudo o que é possível”, diz o pai. A estrutura montada na casa da família funciona como um hospital domiciliar. Larissa conta com enfermeira, fisioterapia todos os dias, pela manhã e à tarde, inclusive aos sábados e domingos, fonoaudiologia diária e quatro técnicos de enfermagem, que se revezam em turnos de 12 horas. Ao longo do tempo, houve substituições de profissionais por questões de carreira, mas a família afirma que a equipe atual é altamente qualificada. “Damos todo o apoio necessário para que eles cuidem bem dela. Hoje, temos muita confiança na equipe”. Larissa Carvalho em fisioterapia em Juiz de Fora Arquivo Pessoal Relembre o caso de Larissa Como foi a cirurgia ortognática? Larissa Moraes de Carvalho deu entrada na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora em 16 de março de 2023 para realizar uma cirurgia ortognática. Segundo o pai, o procedimento era indicado por dentistas desde que ela era criança. Parada cardiorrespiratória após a cirurgia A família percebeu a parada cardiorrespiratória da estudante logo após o procedimento, ainda com ela na maca, durante o retorno ao quarto. De acordo com os familiares, o prontuário médico indica que Larissa saiu da sala de recuperação às 17h45, sendo levada ao 9º andar da unidade, onde chegou por volta das 18h02. Nesse intervalo de 17 minutos, ninguém teria identificado que algo estava errado com a paciente. Caso é levado ao Ministério Público O caso foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e, em setembro de 2023, o promotor Jorge Tobias de Souza determinou a abertura de uma investigação pela Polícia Civil, que segue em andamento. Além da Santa Casa de Misericórdia, o médico responsável pela cirurgia e a médica anestesista são investigados no processo. O g1 tentou contato com a defesa deles, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. A unidade de saúde não se manifesta sobre o assunto desde o início do caso. Família busca na Justiça tratamento de neuromodulação Após conseguir judicialmente o atendimento em home care, a família entrou com uma ação para garantir outro tipo de tratamento: a neuromodulação, que consiste na estimulação elétrica cerebral. De acordo com os advogados, há recomendação de neuromodulação personalizada intensiva, com introdução de eletrodos no cérebro para modificar as funções de células que não funcionam corretamente. O tratamento seria combinado com estimulação magnética transcraniana, estimulação elétrica por corrente contínua, além de fisioterapia e fonoterapia intensivas. O pai afirma que a família não tem condições financeiras de arcar com o tratamento, que teria custo anual estimado em R$ 400 mil. O processo tramita em terceira instância, em segredo de Justiça. Indiciamento de técnico de enfermagem Em agosto de 2025, a Polícia Civil indiciou um técnico de enfermagem por lesão corporal culposa. Segundo a corporação, não foram constatados indícios de erro médico no procedimento cirúrgico. As investigações apontaram falha no atendimento durante o transporte da paciente até o quarto. De acordo com o delegado Luciano Vidal, Larissa não recebeu a atenção e as intervenções adequadas nesse período, o que contribuiu para o agravamento do quadro clínico. A pena pode ser agravada porque o profissional não teria seguido normas obrigatórias da profissão. Família ainda cobra respostas Apesar do indiciamento, a família afirma que ainda não há esclarecimento sobre a causa da parada cardiorrespiratória. “Indiciaram uma pessoa, mas não determinaram o que causou a parada cardiorrespiratória, que é a razão de ela estar assim hoje”, disse Ricardo. Larissa Moraes de Carvalho Arquivo Pessoal LEIA TAMBÉM: Cirurgia mal detalhada e assistência inadequada: veja possíveis falhas em procedimento que deixou estudante de medicina em estado vegetativo, segundo perícia preliminar Cheia de amigos e apaixonada por esporte: Quem é a estudante de medicina que ficou em estado vegetativo após cirurgia para corrigir a mandíbula e o maxilar Caso de estudante em estado vegetativo após cirurgia na mandíbula completa 2 anos: 'Nada apaga nossa dor', diz pai Família de estudante que ficou em estado vegetativo após cirurgia busca na Justiça tratamento de neuromodulação VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/01/01/familia-de-jovem-em-estado-vegetativo-apos-cirurgia-do-maxilar-renova-esperanca-com-novo-ano-e-tratamento-com-celula-tronco-qualquer-avanco-e-importante.ghtml


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