Justiça inglesa exclui 240 mil autores de ação contra BHP por tragédia em Mariana

  • 04/02/2026
(Foto: Reprodução)
Bombeiros trabalham nas buscas por vítimas no distrito de Bento Rodrigues, que ficou coberto de lama depois de rompimento de barragem Ricardo Moraes/Reuters A Justiça inglesa determinou a exclusão de cerca de 240 mil autores da ação que tramita no Reino Unido contra a BHP pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. O número corresponde a aproximadamente 38% do total de autores. Segundo o escritório de advocacia Pogust Goodhead, que representa os atingidos, a Justiça entendeu que aqueles que firmaram acordos com quitação plena e definitiva no Brasil e já foram indenizados não poderão seguir com o processo na Inglaterra. A decisão atendeu a um pedido da BHP. Serão descontinuadas as ações de pessoas pagas, especificamente, no âmbito do Novel Geral (com algumas exceções), do Programa de Indenização Definitiva (PID) e do programa voltado a agricultores familiares e pescadores individuais (Agropesca). Cerca de 380 mil autores permanecem no processo e poderão buscar indenizações pela tragédia em Mariana na Inglaterra. Em novembro passado, o Tribunal Superior de Londres considerou a BHP, que é acionista da Samarco, responsável pelo rompimento da barragem (leia mais abaixo). Em nota, o escritório de advocacia afirmou que a descontinuidade das ações "reflete a estratégia adotada há anos pelas mineradoras, que têm atuado de forma coordenada para enfraquecer o processo internacional, abordando diretamente as vítimas e negociando acordos". "O escritório reconhece que todas as pessoas atingidas sofreram perdas, danos e profundo sofrimento em decorrência do desastre. A decisão proferida pela corte hoje é estritamente processual e não reflete, de forma alguma, a legitimidade ou a gravidade da experiência individual de qualquer atingido", declarou. O g1 tenta contato com a BHP. Julgamento adiado A Justiça inglesa também adiou a segunda fase do julgamento, que vai definir os valores das indenizações que a BHP terá de pagar aos atingidos. O início dessa etapa estava previsto para outubro de 2026 e passou para abril de 2027. Segundo o escritório de advocacia, a mudança é necessária "para um julgamento justo e para assegurar que o caso seja apresentado da forma mais robusta possível". A segunda fase será destinada à análise judicial das categorias de prejuízos e das provas necessárias para quantificar os danos. A expectativa é que ela se estenda até 2028. Condenação da BHP Em novembro de 2025, a Justiça inglesa condenou a BHP pelo rompimento da barragem de Fundão por entender que a mineradora tinha controle e influência sobre a operação e falhou em prevenir a tragédia. A decisão apontou negligência grave e considerou que a empresa ignorou alertas técnicos, não realizou estudos essenciais e permitiu que a barragem continuasse sendo elevada mesmo diante de sinais claros de risco. Neste mês, o Tribunal Superior da Inglaterra negou pedido da BHP de autorização para recorrer da decisão. Acionista da Samarco junto com a BHP, a Vale não faz parte da ação julgada no Reino Unido. As duas empresas, entretanto, têm um acordo para dividir os valores da condenação. Mariana, 10 anos: reparação ambiental já custou bilhões, mas bacia do Rio Doce está mais pobre em biodiversidade Justiça inglesa condena BHP em ação que pede R$ 230 bi em indenizações Relembre A barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana, rompeu em 5 de novembro de 2015. O derramamento imediato de aproximadamente 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração destruiu comunidades e modos de sobrevivência. A lama contaminou o Rio Doce e afluentes e chegou ao Oceano Atlântico, no Espírito Santo. Ao todo, 49 municípios foram atingidos, direta ou indiretamente, e 19 pessoas morreram. LEIA TAMBÉM: Mariana, 10 anos: ninguém foi condenado por tragédia que matou 19 pessoas, destruiu comunidades e contaminou Rio Doce Como está Bento Rodrigues, comunidade destruída pela lama, uma década depois Vídeos mais vistos no g1 Minas:

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/02/04/justica-inglesa-descontinua-autores-acao-bhp-tragedia-mariana.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Anunciantes