Justiça reverte absolvição e condena Samarco e outros três réus por tragédia em Mariana
03/09/2026
(Foto: Reprodução) Bombeiros em buscas por vítimas após rompimento da barragem, em novembro de 2015
Ricardo Moraes/Reuters
O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) reformou parcialmente, nesta quinta-feira (3), a sentença que absolveu todos os réus pelo rompimento da barragem da Samarco em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. A Corte decidiu pela condenação da Samarco e de três pessoas físicas por crimes relacionados à tragédia. Cabe recurso.
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O relator, juiz federal Michael Procópio, atendeu em partes os recursos apresentados pelo Ministério Público Federal (MPF) e por familiares de vítimas. Os desembargadores Klaus Kuschel e Luciana Pinheiro acompanharam o voto.
Daviély Silva e Germano Lopes, que eram gerentes operacionais da Samarco à época do desastre, foram condenados a oito anos e nove meses de reclusão, em regime inicialmente fechado.
Wagner Alves, que também era gerente operacional da mineradora, foi sentenciado a sete anos, três meses e 14 dias de reclusão, inicialmente em regime semiaberto.
Já a empresa foi condenada à pena de proibição de contratar com o poder público por 10 anos e ao pagamento de multa de R$ 1 milhão a serem revertidos ao Fundo Nacional do Meio Ambiente.
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Segundo o procurador regional da República Darlan Airton Dias, do MPF, a Samarco foi responsabilizada pelos crimes de poluição seguida de morte e danos a unidades de conservação. As pessoas físicas foram condenadas também por inundação seguida de morte.
O procurador ainda vai analisar se vai recorrer da decisão, que considerou uma "vitória da justiça".
"Restabeleceu a verdade, responsabilizando penalmente uma empresa e três pessoas físicas por essa tragédia que foi o rompimento da barragem de Fundão em Mariana", afirmou.
Para Ana Paula Auxiliadora Alexandre, que perdeu o marido, Edinaldo Oliveira de Assis, na tragédia, o sentimento é de "alma lavada".
"Eu tenho uma sensação de justiça, de alma levada, porque desde o dia que eu soube do falecimento dele, que eu entrei na Justiça, eu falei que eu iria até o fim, que eu queria ver a condenação dos criminosos. [...] Nós iremos até onde for para defender os nossos", falou.
O g1 entrou em contato com a Samarco e com a defesa dos outros réus condenados, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Entenda
Em novembro de 2024, Samarco, Vale, VogBR e BHP Billiton, além de sete pessoas físicas, foram absolvidas das acusações relacionadas à tragédia.
Na época, a Justiça Federal concluiu que não havia "provas suficientes para estabelecer a responsabilidade criminal" direta e individual de cada réu.
Em dezembro de 2024, o MPF recorreu da decisão, pedindo a condenação das quatro empresas e de seis pessoas físicas.
O rompimento da barragem da Samarco em Mariana ocorreu em 5 de novembro de 2015. A tragédia deixou 19 pessoas mortas e provocou a destruição de comunidades e a contaminação do Rio Doce.
Julgamento sobre a tragédia em Mariana no TRF6 nesta quinta-feira (3)
Pedro Mendes/ TRF6
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