Lojas de luxo vendiam por R$ 1,1 mil roupas compradas por R$ 33 em oficinas investigadas por trabalho análogo à escravidão

  • 07/04/2026
(Foto: Reprodução)
Lojas de luxo vendiam por R$ 1,1 mil roupas compradas por R$ 33 em oficinas investigadas Duas lojas de luxo em Belo Horizonte que estão na lista de empresas investigadas por ligação com trabalho análogo à escravidão na cadeia de produção de roupas vendiam peças por valores 10 vezes maiores que o que pagavam por elas nas oficinas de costura. Os números aparecem no relatório da Superintendência Regional do Trabalho sobre peças vendidas pela Lore Confecções e Anne Fernandes, localizadas no bairro Prado, na região Oeste de BH. O documento ainda está sendo analisado para que um parecer seja encaminhado ao Ministério Público Federal. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Uma das peças era vendida por até R$ 1.143, mas foi comprada por apenas R$ 33 em oficinas terceirizadas. Em outro caso, um conjunto comercializado por cerca de R$ 900 custava R$ 53 para ser produzido. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ao todo, 17 pessoas foram identificadas no relatório como parte da mão-de-obra usada com trabalho análogo à escravidão. 14 delas foram resfatadas, incluindo uma adolescente. O relatório aponta que a marca Lore é “beneficiária direta da mão de obra precarizada”. Já a Anne Fernandes é citada como "responsável por impor o modelo de produção às oficinas, que funcionariam como intermediadoras de mão de obra barata". O que dizem as lojas Em nota a Lore informou que a empresa não mantém qualquer vínculo com as oficinas citadas desde o fim de 2025. "Os contratos com as oficinas foram firmados com empresas autônomas para fornecimento de produto acabado. Não havia ingerência na gestão da produção ou da mão de obra por parte da nossa companhia", informou em nota. A Lagoa Mundaú, responsável pela Anne Fernandes informou que a empresa manifesta repúdio a qualquer forma de trabalho que viole a dignidade humana. "Assim que tomamos conhecimento da ação fiscal em setembro de 2025, agimos com rapidez e rigor. Mesmo antes da conclusão de qualquer processo, a empresa realizou o distrato imediato com o fornecedor em outubro de 2025. Essa medida demonstra nossa política de tolerância zero: qualquer indício de descumprimento de normas trabalhistas na cadeia de suprimentos resulta no desligamento sumário do parceiro comercial" Imigrantes e crianças em condições insalubres As investigações apontam que as roupas eram confeccionadas em oficinas em Betim e Contagem, na Região Metropolitana da capital, em condições consideradas degradantes. Os locais foram alvo de fiscalização após uma denúncia anônima que relatava a presença frequente de crianças em uma das confecções. De acordo com Carlos Calazans, superintendente regional do Trabalho em Minas Gerais, os fiscais encontraram trabalhadores imigrantes, principalmente bolivianos, vivendo e trabalhando em ambientes precários. “Na oficina que chegamos, encontramos bolivianos, crianças e lugares muito precários de alojamento onde essas pessoas ficavam. Locais onde faziam a comida, se alimentavam de forma muito irregular, insalubre. Ou seja, um ambiente muito insalubre, que caracteriza o trabalho degradante e o trabalho análogo à escravidão”, afirmou. Imigrantes bolivianos são resgatados de trabalho análogo à escravidão em oficinas Auditoria-fiscal do Trabalho/Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) Crianças com direitos violados Na primeira oficina, localizada no bairro Cruzeiro do Sul, em Betim, o Conselho Tutelar identificou que duas crianças estavam com direitos violados. Uma delas contou que cuidava da irmã mais nova e de um bebê enquanto os adultos trabalhavam. No local, foram encontrados três bolivianos, considerados os donos da confecção e um trabalhador sem carteira assinada. A produção ocorria em pequenos cômodos, com rede elétrica improvisada e presença de materiais inflamáveis. A partir dessa fiscalização, os auditores chegaram a uma segunda oficina, em Contagem, onde outros 14 trabalhadores bolivianos, incluindo uma adolescente, viviam e trabalhavam em condições semelhantes. Segundo o relatório, muitos tinham dívidas com o empregador, relacionadas a custos como passagens e pequenos empréstimos, e recebiam menos de um salário mínimo por mês, mesmo com jornadas que ultrapassavam 12 horas diárias. Contratação sem registro e excesso de trabalho Segundo os auditores fiscais, as oficinas funcionavam como prestadoras de serviço quase exclusivas para as marcas de roupas, sem autonomia econômica. As empresas forneciam os materiais, os modelos e as especificações, enquanto os custos de produção ficavam sob responsabilidade das confecções. O relatório também aponta que representantes das marcas visitavam regularmente os locais para acompanhar a produção. Em um dos casos, uma funcionária da Lore fazia visitas semanais à oficina. Uma representante da Anne Fernandes também realizava inspeções frequentes, previstas em contrato. Para dar conta da demanda, a produção chegava a três peças por hora em uma das oficinas, o que, segundo os fiscais, levava à contratação de mão de obra sem registro e ao excesso de jornada. Segundo a Superintendência Regional do Trabalho, apenas ao final do processo administrativo será possível determinar a responsabilização direta das empresas. Já os donos das oficinas autuadas receberam multas que podem chegar a R$ 100 mil e ainda podem responder criminalmente. Peça produzida por imigrantes bolivianos oficinas de Minas Gerais TV Globo/ Reprodução Veja os vídeos mais assistidos do g1 Minas:

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/04/07/lojas-de-luxo-vendiam-por-r-11-mil-roupas-compradas-por-r-33-em-oficinas-investigadas-por-trabalho-analogo-a-escravidao.ghtml


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