Nunes Marques nega pedido da PF para realizar busca contra ACM Neto dentro de investigação sobre desvio de emendas
17/09/2026
(Foto: Reprodução) A Polícia Federal (PF) cumpre nesta quinta-feira (17) mandados de busca e apreensão em uma nova fase operação Overclean, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares.
Essa nova fase, a décima, apura indícios de fraude em contratações feitas pela Secretaria de Educação de Belo Horizonte (MG), entre 2024 e 2025, e que somam mais de R$ 80 milhões.
São cumpridos 24 mandados de busca e apreensão nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Tocantins, Paraná, Espírito Santo e Bahia. E foram autorizados pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Kássio Nunes Marques.
🔎A Operação Overclean investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos por meio de contratos e emendas parlamentares. Desde o início das apurações, a PF tem mirado empresários, agentes públicos e operadores suspeitos de integrar uma rede de fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e corrupção.
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A Polícia Federal chegou a pedir autorização para cumprir, nesta fase, mandado também contra o candidato ao governo da Bahia ACM Neto, do União Brasil.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com pedido da PF. Entretanto, Nunes Marques negou o pedido.
No pedido encaminhado ao STF, a Polícia Federal apontou que a investigação identificou contatos frequentes entre ACM Neto e o empresário José Marcos Moura, conhecido como "Rei do Lixo", um dos alvos da operação.
Segundo os investigadores, mensagens, registros telefônicos e outras diligências indicariam que ACM Neto era citado em tratativas relacionadas a indicações para cargos públicos e à atuação de pessoas investigadas no esquema.
A PF também mencionou episódios já apurados em fases anteriores da investigação que, segundo os policiais, reforçariam a necessidade de aprofundar as apurações sobre o ex-prefeito de Salvador.
Entre eles estão contatos telefônicos registrados em datas consideradas relevantes para a investigação e fatos relacionados à apreensão de dinheiro em espécie com pessoas ligadas aos investigados.
Procurado, o gabinete de Nunes Marques informou que não comentaria.
Essa décima fase da Operação Overclean investiga a suspeita de crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Entre os alvos de mandados nesta quinta estão Bruno Barral, ex-secretário municipal de Educação de Belo Horizonte. Ele foi exonerado em abril de 2025, depois de ser alvo da terceira fase da Overclean.
A PF também cumpre mandados contra empresário baiano José Marcos Moura, mais conhecido como "Rei do Lixo”, que foi indiciado pela PF por suspeita de envolvimento no esquema de desvio de emendas, além de Alex Maciel, que segundo investigadores também é empresário e sócio de Moura.
🔎Conhecido como "Rei do Lixo", José Marcos Moura atua no setor de limpeza urbana e já havia sido alvo de fases anteriores da Overclean. Em agosto deste ano, ele foi indiciado pela Polícia Federal por suspeita de participação no esquema investigado.
O ministro do STF Kassio Nunes Marques se declarou impedido de votar na sessão que analisa se o Supremo vai investigar o ministro Alexandre de Moraes
Rosinei Coutinho/STF