Tragédia em MG: linha do tempo mostra como temporal avançou e deixou mortos e desaparecidos em Juiz de Fora e Ubá
25/02/2026
(Foto: Reprodução) Globocop sobrevoa bairros arrasados pela chuva em Juiz de Fora
O temporal que começou no fim da noite de segunda-feira (23) em Juiz de Fora transformou-se na maior catástrofe climática da história recente da Zona da Mata mineira. Em menos de 24 horas, o acumulado de água fez de fevereiro de 2026 o mês mais chuvoso já registrado na cidade.
O alerta da Defesa Civil foi emitido às 22h de segunda-feira (23) para Juiz de Fora, e os primeiros deslizamentos ocorreram ainda no fim da noite. Durante a madrugada, foram soterramentos, alagamentos e transbordamentos de rios na região.
Até o fim da noite desta terça-feira (24), eram centenas de mortos e dezenas de desaparecidos, além de milhares de desabrigados entre Juiz de Fora e Ubá.
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Veja a linha do tempo de como o temporal avançou:
Segunda-feira (23):
Início do temporal: Em Juiz de Fora, a chuva começou no fim da tarde e se intensificou à noite, estendendo-se até a madrugada de terça-feira.
Transbordamentos: O Rio Paraibuna transbordou em diversos pontos e o Mergulhão foi fechado para o trânsito. Diversas ruas e avenidas registraram pontos de alagamento severos.
Primeiros desmoronamentos: Foram registrados os primeiros deslizamentos de barrancos, soterramentos e alagamentos. A Prefeitura confirmou ocorrências graves em pelo menos 14 localidades.
Alerta à população: Por volta das 22h, a Defesa Civil enviou um "alerta severo" via SMS e redes sociais para toda a cidade.
Suspensão de aulas: Diante do cenário, a Prefeitura anunciou a suspensão das aulas na rede municipal. Instituições estaduais, particulares e federais também anunciaram o cancelamento das atividades.
Caos em Ubá: No mesmo período, o Rio Ubá transbordou e a Avenida Beira Rio foi tomada pela água. Vídeos registraram caixões de uma funerária sendo carregados pela enxurrada e veículos sendo arrastados no Centro.
Terça-feira (24):
Madrugada:
Tragédia no Paineiras: Na região Central de Juiz de Fora, a queda de um barranco atingiu o primeiro pavimento de um prédio e duas casas na Rua Engenheiro Murilo Miranda de Andrade. Pelo menos 15 moradores ficaram presos e dois foram soterrados.
Desmoronamento no JK: Na Rua Francisco Gonzalo de Faria, uma edificação desmoronou. Vizinhos relataram estalos seguidos por um forte estrondo. Equipes de salvamento com cães farejadores foram mobilizadas.
Vários soterramentos: A Prefeitura confirmou soterramentos nos bairros Cerâmica, Esplanada, Três Moinhos, Santa Rita e Parque Burnier.
Calamidade: Por volta das 2h, o município de Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública.
Emergências: O Corpo de Bombeiros registrou mais de 40 chamadas emergenciais apenas na madrugada para resgate de pessoas ilhadas.
Manhã:
Buscas e Ocorrências: Os Bombeiros iniciaram buscas por pelo menos 36 desaparecidos. A Defesa Civil contabilizou mais de 500 ocorrências em poucas horas.
Alerta Máximo: A Defesa Civil emitiu um “alerta extremo” para o risco iminente de novos deslizamentos devido ao solo encharcado. O número de mortos confirmados ultrapassou 10 ainda nas primeiras horas do dia.
Serviços suspensos: O transporte coletivo urbano foi paralisado e o comércio orientado a não abrir.
Resgate emocionante: Equipes conseguiram retirar com vida uma mulher que estava soterrada dentro de casa.
Luto Oficial: O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, decretou luto oficial de três dias no estado.
Veja momento em que mulher é resgatada com vida após ficar soterrada em Juiz de Fora
Início da tarde:
Balanço parcial: A confirmação de 22 mortos na região e o aumento do número de desaparecidos para 45. A prefeita Margarida Salomão definiu a data como o 'dia mais triste do seu governo'.
Mobilização no Parque Burnier: As buscas continuaram no bairro, com relatos de moradores ajudando vizinhos e parentes soterrados.
Evacuação: A Defesa Civil determinou a evacuação de áreas de risco, orientando que cerca de 600 famílias deixassem suas casas imediatamente.
Ubá: O prefeito José Damato classificou o temporal como a 'maior tragédia da história' do município.
Tarde:
Mobilização: Campanhas de doação 'SOS Juiz de Fora' foram lançadas.
Vítimas identificadas: Entre os mortos confirmados em Juiz de Fora, estão um estudante e uma professora da rede municipal. Clique aqui para ver todas as vítimas já identificadas.
Força-tarefa: Em coletiva, Romeu Zema afirmou que quase 100 pessoas foram resgatadas com vida. O Corpo de Bombeiros empenhou 141 militares (113 em Juiz de Fora e 28 em Ubá) para atuar exclusivamente na tragédia.
Desabrigados: O número de pessoas que precisaram deixar suas casas e buscar abrigos públicos ou casa de parentes já passa de 3 mil.
Noite:
Revezamento de equipes para continuação das buscas nas cidades mineiras;
Em coletiva de imprensa no início da noite, ministros confirmaram envio da Força Nacional do SUS e reconhecimento do decreto de calamidade em Juiz de Fora.
Sobe para 30 o número de mortos na Zona da Mata.
Quem são as vítimas
Entre as vítimas da tragédia estão estudantes e uma professora. As mortes aconteceram nos bairros JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa.
Período chuvoso com mais mortes em 5 anos
Minas Gerais tem o período chuvoso com mais mortes em 5 anos, após a tragédia na Zona da Mata. Desde outubro de 2025, ao todo, já são 41 mortes registradas, incluindo os 30 óbitos já confirmados na região de Juiz de Fora.
Segundo a Defesa Civil de Minas, o número é o maior dos últimos cinco anos e fica atrás apenas do período chuvoso de outubro de 2019 a março de 2020, quando houve 74 óbitos.
Veja abaixo o número de mortes registradas nos últimos anos:
Outubro de 2019 a março de 2020: 74 óbitos
Outubro de 2020 a março de 2021: 22 óbitos
Outubro de 2021 a março de 2022: 30 óbitos
Outubro de 2022 a março de 2023: 22 óbitos
Outubro de 2023 a março de 2024: 6 óbitos
Outubro de 2024 a março de 2025: 26 óbitos
Outubro de 2025 a fevereiro de 2025: 41 óbitos (até o momento)
INFÓGRAFICO: Chuva deixa mortos e desabrigados em Juiz de Fora
Arte/g1
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